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Ciência de laboratório ou realidade? O que desenhos animados nos ensinam sobre ciência e estereótipos

 

Cientistas reais não atuam isoladamente e nem buscam apenas soluções mirabolantes; eles trabalham de forma colaborativa e diversa. Ciência é uma atividade social, que envolve uma troca constante de ideias e que se expande para além do laboratório.


 

Já parou para pensar em como a ciência é representada nos desenhos animados? De Dexter a Jimmy Neutron, os cientistas são sempre gênios excêntricos que criam tecnologias mirabolantes para resolver problemas – geralmente muito pessoais. Seja para assistir a um filme proibido ou para espantar os cachorros barulhentos do vizinho, esses personagens acabam retratando uma visão de ciência que é exclusiva, tecnológica e um tanto egoísta.

Desenhos animados frequentemente nos fazem rir e despertam curiosidade sobre ciência, mas a imagem que apresentam do cientista ainda é cheia de estereótipos. Figuras como Dexter, Jimmy Neutron e Dr. Doofenshmirtz, por exemplo, retratam cientistas como gênios excêntricos que trabalham sozinhos, cercados por tecnologia inacessível, em seus laboratórios secretos e ultramodernos. Essa visão reforça a ideia de que a ciência é exclusiva, dominada por homens e destinada a poucos superdotados – uma ideia ultrapassada e excludente.
 

Além disso, há uma diferença visível na forma como homens e mulheres são retratados na ciência desses programas. Os cientistas homens, muitas vezes, "salvam o mundo" ou criam invenções complexas, enquanto as cientistas mulheres aparecem em papéis secundários, preocupadas com temas “frívolos” ou sendo assistentes. Essa mensagem sutil reforça um estereótipo de gênero, sugerindo que a ciência é um clube masculino e heroico, enquanto as mulheres ficam em segundo plano.

Esses personagens cativantes e suas invenções mirabolantes geram uma curiosidade genuína, mas também limitam nossa compreensão sobre o que é, de fato, a ciência. Cientistas reais não atuam isoladamente e nem buscam apenas soluções mirabolantes; eles trabalham de forma colaborativa e diversa. Ciência é uma atividade social, que envolve uma troca constante de ideias e que se expande para além do laboratório. Representar isso nas telas poderia inspirar crianças a enxergarem a ciência como algo acessível e transformador para todos.
 

Questionar esses estereótipos nos leva a refletir sobre como imaginamos o papel da ciência e da tecnologia em nossa sociedade. Afinal, a ciência verdadeira é cheia de interações humanas e rica em diferentes saberes – e seria incrível se as próximas gerações crescessem vendo essa realidade nas telas.

 

Chris Bueno é jornalista, escritora e divulgadora de ciências.

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